São Januário, Arão e Ferj: a aliança de Vasco e Botafogo fora de campo

O clássico entre Vasco e Botafogo neste domingo terá contornos muito suaves de rivalidade. Desde o ano passado, os dois clubes são aliados políticos, numa relação que se estreitou ainda mais em 2016. O palco não poderia ser outro: São Januário, que virou casa também do Glorioso nesta edição do Campeonato Carioca, em mais um sinal da parceria entre as diretorias. O novo capítulo é a possibilidade de os sócios botafoguenses terem desconto na partida, mesmo com o mando sendo cruz-maltino.

A aproximação entre Eurico Miranda e Carlos Eduardo Pereira começou em 2015. Quando Flamengo e Fluminense declararam guerra à Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), os mandatários de Vasco e Botafogo ficaram ao lado da entidade. O presidente tricolor, Peter Siemsen, chegou a criticar Carlos Eduardo pela postura. A decisão do Carioca, inclusive, foi entre os aliados, com vitória cruz-maltina e uma nota pública de Eurico parabenizando o adversário pelo vice-campeonato.

– Gostaria de parabenizar o Botafogo de Futebol e Regatas pela bela campanha e valorização do nosso Campeonato Estadual. A atuação do Botafogo engrandeceu a conquista do Vasco. Assim, provamos que o futebol carioca continua mobilizando o Brasil. Que o Botafogo continue nessa trajetória por toda a temporada – escreveu Eurico, em nota publicada no site do Vasco.

Oficialmente, o discurso é de que Botafogo e Vasco têm uma agenda comum e buscam fortalecer o Campeonato Carioca. Quando se aproximaram, as diretorias haviam acabado de iniciar seus respectivos mandatos após ganharem as eleições nos clubes, que coincidentemente ocorreram no mesmo mês: em novembro de 2014.

– Acho que a aproximação se deu mais em função de pensamentos iguais em relação ao futebol do Rio de Janeiro. Interesses comuns, como o fortalecimento do Campeonato Carioca – afirmou um conselheiro do Vasco.

São Januário compartilhado

Em 2016, a parceria se estendeu. Sem poder contar com o Engenhão, o Botafogo procurou o parceiro e conseguiu a cessão de São Januário para os jogos no Campeonato Carioca. Até agora, foram cinco partidas disputadas na Colina, incluindo o clássico com o Vasco na primeira fase do torneio.

O Glorioso pode continuar usando o estádio no Brasileirão. O acordo que está sendo costurado é que a dívida que o Vasco tem com o aliado – cerca de R$ 80,5 mil referente ao pagamento do mecanismo de solidariedade da venda do volante Fellipe Bastos para o Al Ain, dos Emirados Árabes – seja perdoada em troca. Para que isso se concretize, porém, é preciso esperar a inauguração do campo anexo de São Januário, o que deve ocorrer até junho. Assim, o gramado principal teria desgaste minimizado.

Ajuda no “caso Arão”

Há cooperação também na esfera jurídica. Após perder Willian Arão para o Flamengo, o Botafogo ainda recorre para recuperar os direitos sobre o jogador. O Vasco, que viveu caso parecido com Leandro Amaral, ajudou o Alvinegro no levantamento do processo.

Em 2008, Leandro Amaral assinou com o Fluminense após entrar na Justiça e se desvincular do Vasco, que contava com uma cláusula de renovação automática. O Cruz-Maltino recorreu e recuperou os direitos sobre o atleta, que foi reincorporado ao elenco. As diretorias consideram que o caso é praticamente igual ao de Arão.

Relação se estende às torcidas

O clima de cordialidade entre as diretorias é o mesmo entre as duas torcidas. No primeiro clássico do ano, alvinegros circulavam livremente pelas áreas onde se concentravam os cruz-maltinos. Na entrada dos visitantes em São Januário, os bares ao redor ficaram abertos, algo que geralmente não acontece em clássicos disputados no estádio.

Apesar do clima amistoso, o último Vasco x Botafogo ligou o sinal de alerta após uma confusão na porta de São Januário que terminou com 10 pessoas detidas. O que gerou o tumulto foi a presença de palmeirenses no local. Membros de uma organizada do Alvinegro tentaram brigar com o grupo, aliado dos cruz-maltinos, que tomaram partido no embate. Neste domingo, o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) garantiu que a fiscalização será maior para evitar presença de torcedores de outros clubes descaracterizados.

Fonte: Globoesporte.com

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